DayTrippers – Paixão em Viajar

Vale Thethi, Albânia: A Europa Que Nos Encanta

Esse é daqueles lugares que pouca gente conhece. Entre tantos viajantes que encontramos ninguém havia passado pelo Vale Thethi mas uma descrição de um lugar em meio a belas montanhas e pouco visitado nos animou. A Albânia foi um dos países mais fechados do mundo até 1990 devido à paranóia do ditador Enver Hoxha que durante a guerra fria se isolou dos possíveis aliados comunistas Iugoslávia, União Soviética e China. O isolamento foi tão grande que os Albaneses nos comentaram não saber quem era Michael Jackson ou o que era uma banana antes de 1990. A cereja do bolo foram os 700.000 “bunkers” de concreto que o ditador construiu para que toda a população pudesse se proteger e lutar em caso de guerra e até hoje povoam os terrenos e quintais do país.

Thethi Valley

O caminho até Thethi

História a parte depois de 3 dias parados entre um posto de gasolina e um camping beira lago esperando a chuva passar e subimos para os Alpes Albaneses sem saber bem o que nos esperava. Já na estrada começamos a nos animar com o visual, penhascos e picos nevados nos cercavam e as estradas sinuosas indicavam a subida. Cruzamos alguns riachos até chegar ao primeiro vilarejo, Thethi, completamente encravado nas montanhas e cortado por um rio azul leitoso de água que vem das geleiras. Poucos moradores e umas pousadas completamente vazias deixavam o lugar só para nós. Encontramos um cantinho gramado perto do rio e montamos acampamento, um dos mais belos “free campings” até hoje.

Thethi Valley

Free camping no Vale Thethi


Thethi Valley

Visuais do vale

Apesar de termos a opção de ir até cachoeiras ou caminhar pelas montanhas o visual era tão e agradável e a vila tão tranquila que passamos a tarde apenas vendo o rio passar. De tanto que ele passou no fim da tarde resolvemos cruzá-lo, o mais fundo que o Curumim atravessou até hoje e com certeza o mais azul que ele vai cruzar. Reduzida e bloqueio acionados usamos toda a potência para a nossa casa não naufragar mas depois de um pequeno susto quando aparentemente perdemos a tração chegamos na outra margem. Cruzar o rio valeu a pena pois o caminho entre o vilarejo de Thethi e o próximo ainda menor nos presenteou com um belo cânion.

Thethi Valley

Cruzando o rio

O fim da tarde chegava e precisávamos encontrar um lugar para dormir então entramos em uma rua qualquer da primeira vila que encontramos, afinal nada sabíamos do lugar e demos de cara com o Pedro. Apesar de falar umas 3 palavras em inglês ele vinha com um sorriso no rosto que cativava. Perguntamos onde poderíamos encostar nossa “casa móvel” e ele disse que ali mesmo, no quintal do sobrado que ele estava construindo. O Pedro é irmão do Pashku, filhos do Joca que é vizinho do Prek, dono do tal sobrado que no próximo verão será uma pousada. Dali a pouco o Prek nos disse que poderíamos dormir em um quarto que já estava pronto e mais um pouco nos convidou para um feijão branco com carne de porco. Jogamos dominó, eles tinham cerveja, nós compartilhamos o vinho e assim foram 3 noites. Nos comunicávamos com o corpo, com as mãos com a risada e a única palavra em comum que conhecíamos, “mandarina”, usávamos quando alguém ganhava uma rodada bonita no dominó. Prazer inexplicável compartilhar com pessoas tão queridas.

Thethi Valley

A turma do dominó


Thethi Valley

A Isa e o Joca

A essa altura já sabíamos bem das belezas locais então em uma das tardes resolvemos caminhar até o “olho azul” mas depois de tentarmos cruzar uns quintais acabamos voltando debaixo de uma chuva fina. O Joca que estava de bobeira logo pegou um cajado e se propôs a nos levar até a entrada da trilha. Mas a entrada da trilha em si já era surreal, com umas rochas esculpidas pela água em tom rosado e cachoeiras. Curtimos por um tempo o visual mas já passava das 2 da tarde então seguimos para a próxima parada. Acabamos chegando no tal “olho azul” que é uma lagoa redonda obviamente azul e uma cachoeira com um espaço onde fizemos o nosso picnic, cenário espetacular! Hora de voltar pra casa e curtir os últimos momentos com a nossa família albanesa.

Thethi Valley

Belas esculturas da água


Thethi Valley

O olho azul

Nosso tempo no Vale Thethi foi fantástico, da hospitalidade das pessoas à natureza, nosso único erro foi que quisemos voltar das montanhas por outro caminho para não repetir a vista e foram uns 30 quilômetros de lama e buracos um último esforço para o Curumim não esquecer nunca como aquele lugar é especial!

Thethi Valley

Por maus caminhos

Thethi Valley

Jantarzinho de camping

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