DayTrippers – Paixão em Viajar

Khiva, Bukhara e Samarkand no Uzbequistão

Uzbequistão

O Uzbequistão era desde o começo o país da Ásia Central que tínhamos menos interesse. Vindo da cratera de fogo do Turcomenistão e indo para as montanhas e a natureza do Tajiquistão, um país cujos principais atrativos são cidades não nos apetecia muito. Além disso é o mais turísticos entre os vizinhos. Fosse o que fosse tínhamos que ficar 15 dias já que no encaixe complicado dos vistos da Ásia Central acabamos decidindo por deixar esse período para o Uzbequistão antes mesmo de saber o que veríamos por lá. Para piorar a situação, uma lei esquisita obriga os turistas a ficarem em estabelecimentos oficialmente reconhecidos como hotéis e guardarem todos os comprovantes para mostrar na imigração, o que encareceria a história toda.

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Já que é o que tem para hoje, melhor aproveitar. Chegamos em Khiva, a primeira das 3 cidades obrigatórias numa viagem ao país e tivemos uma boa surpresa. A cidade murada na cor do deserto é aconchegante e cheia de madrassas, mesquitas com minaretes impressionantes, muitos trabalhados em azulejos azuis e verdes e muita história. Antes de começar a conhecer precisávamos encontrar um hotel para resolver a questão do comprovante então decidimos procurar algum que aceitasse que acampássemos por um preço mais baixo que a diária e nos registrasse. Foi a sorte grande que, além de toparem, nos deixaram acampar na frente da casa deles, bem no meio da cidade murada, nem um hotel teria localização melhor. Acordávamos muitas vezes rodeados de turistas curiosos que nos davam bom dia.

Uzbequistão Uzbequistão

Com tempo de sobra saíamos para explorar cada dia um pouco da cidade antiga. Um dia encontramos uma excursão de brasileiros, já não encontrávamos nenhum conterrâneo desde a Turquia, meses antes. No outro encontramos o Adriano, um italiano que vinha desde a Itália de moto e que havíamos conhecido na fronteira do Irã com o Turcomenistão. Os finais de tarde deixavam Khiva especialmente bonita com a luz alaranjada refletindo nos azulejos. De cima do mais alto dos minaretes era possível observar todos os limites da muralha que cerca a cidade. No mercado o morango a 5 reais o kg encheu nossa sacola. No fim do dia quando o açougueiro fechou a barraquinha que não tinha refrigeração jogou a peça de carne diretamente no porta-malas do carro.

Uzbequistão Uzbequistão

Nossa próxima parada foi em Bukhara e o calor estava cada vez mais forte nessa região desértica. Aproveitando que não encontramos nenhum bom negócio para acampar pegamos um quarto de albergue baratinho e com ar condicionado. Bukhara é maior que Khiva e o centro antigo não é murado mas as construções são tão bonitas quanto. Só na área da mesquita Po-i-Kalyan eu fui por 3 finais de tarde seguidos. No meio do dia apenas curtíamos o ar condicionado ou a sombra do pátio do albergue. É em Bukhara que está a Madrassa Chor Minor, conhecida dos viajantes por ser a capa do guia de viagens Lonely Planet da Ásia Central.
No caminho para a 3ª e última cidade paramos por 3 dias na beira de um lago, arriscando a falta de 3 comprovantes de hotel mas pudemos nos refrescar com mais dignidade do calor intenso. Um convite recebido para uma deliciosa carne cozida (talvez aquela do porta-malas) foi um passaporte para o segundo desarranjo intestinal de toda a viagem. Fui para Samarkand deitado atrás no Curumim, com febre, feito ambulância.

Uzbequistão Uzbequistão

Para completar o trio imperdível fomos para a famosa Samarkand, a que menos gostamos. Não se pode negar que as mesquitas centrais são bonitas e imponentes mas parece que o excesso de desenvolvimento tirou a alma desse importante entreposto comercial e símbolo da Rota da Seda. O fato é que o Uzbequistão surpreendeu e ajudou a compor a magia da Ásia Central.

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