DayTrippers – Paixão em Viajar

Boa Vista: Uma Capital Gostosa E Cheia De Natureza

De passagem pelo Brasil as palavras de ordem eram coxinha e açaí. Ah, como pequenos detalhes da nossa culinária deixam saudades! Cruzamos uma fronteira pra lá de tranquila se não fosse a fila gigantesca para abastecer diesel baratíssimo do lado venezuelano antes de entrar na realidade do diesel caríssimo brasileiro. Pronto, benvindos a Roraima. E pronuncia-se Roráima e não Rorãima! Antigo Território Federal do Rio Branco, foi elevado a categoria de estado em 1988 e a capital Boa Vista, tem jeitinho de cidade do interior, apenas 1 edifício e pouco mais de 300 mil habitantes vindos de diversas partes do país para tomar posse de terras dadas pelo governo como forma de incentivar a ocupação desse estado fronteiriço.

Observando Boa Vista no por do sol

Petisco no final da tarde

Boa vista, que capital gostosa!

E que capital gostosa! Com ruas amplas que poderiam ser mais arborizadas, a cidade foi projetada para favorecer o vento e reduzir um pouco o calor escaldante. Também ameniza o calor ter logo ali o Rio Branco, que pode ser visto da Orla Taumanan, cheia de barzinhos à beira rio e também pode ser cruzado em poucos minutos a partir do Babazinho por apenas 4 reais e render uma bela tarde de praia, aliás um dos nossos programas prediletos nos 15 dias que ficamos lá. O Babazinho é um bar à beira rio que também vale muito a pena, com cerveja gelada, pôr do sol e nascer da lua em cima do rio Branco, e de quebra, ótimas festas com bandas locais e sons regionais de altíssima qualidade. Está em Boa Vista? Vá ao Babazinho!

Assistindo o nascer da lua no Babazinho com o pessoal do Expedicionários da Saúde

O que também gostamos foi o clima de cidade do interior, toda horizontal, pouca gente, trânsito tranquilo e um ponto interessante: Boa parte dos órgãos públicos inicia o expediente mais cedo e termina às 13h, então depois disso a cidade morre, afinal uma parcela expressiva dos boa-vistenses ou macuxis trabalham para o governo.

Pegando “praia” no Rio Branco

Entre amigos

Nós adoramos essa terra e acho que a longa estadia foi um dos motivos, afinal depois de um tempo já nos sentíamos locais e tínhamos até um grupo de amigos que nos convidavam para macarronada, churrasco, igreja, encontro do clube jipe, enfim, vida social intensa. Tudo começou quando a Isa fez uns contatos com o clube jipe e o ex-presidente, o Elmer, nos convidou para acamparmos no terreno da sua oficina, a Retífica Central. Nos instalamos embaixo de uma mangueira e compartilhamos pia, banheiro, eletricidade e água gelada com os mecânicos. Daí começou uma amizade com o Elmer, o Seu Pedro, pai dele, e os amigos Rony, Giovana, Lau, Neudo, etc. Pessoal gente finíssima que nos apresentou a cidade, emprestou máquina de lavar roupa, trouxe a TV pra nos entrevistar, ensinou mecânica, nos acolheu como bons velhos amigos que hoje são. Sem palavras pra agradecer!

Com o pessoal

A serra do Tepequem

Essa serra é um ícone entre os locais, todos diziam que tínhamos que ir para o Tepequém, e nós não somos de desprezar dicas de locais, então realmente tínhamos que ir. Saímos num sábado às 5 da manhã com o Seu Pedro e tocamos 200km ao norte para conhecer essa antiga área de garimpo que hoje se transformou num tranquilo polo de turismo regional com belas cachoeiras, que são um convite no calor da região norte. Além disso, uma cidadezinha tranquila de apenas uma rua e muita história de garimpo. Fomos até o camping do Seu Chico para ouvir histórias sobre como os aviões davam rasantes e jogavam mantimentos para os garimpeiros, como a pista de decolagem embrenhada na mata não permitia nenhum erro e também sobre as brigas, as prostitutas e o dinheiro rápido (mas difícil) que proporcionava aos garimpeiros Escorts XR3 e muita grana que rapidamente ia embora com a pouca instrução e os prazeres da vida. Muita conversa boa!

Isa observando as cachoeiras

Rafa apreciando a vista do alto da Serra

Na “avenida” do Tepequém

Próximos passos

Roraima tem um ponto que nem tocamos nessa matéria que de tão grande, complexo e interessante que é, vale um post inteiro. O estado tem proporcionalmente a maior população indígena do país e a questão é tema na mesa de índios e não índios, despertando amor e ódio. Nós fomos com a Ana, uma amiga que trabalha na ONG Expedicionários da Saúde e o Anselmo, um líder indígena, conhecer uma aldeia e o Lago Caracaranã na famigerada reserva Raposa Serra do Sol, além de um centro de saúde indígena e contaremos um pouco do que vimos no próximo post.

O nascer do sol no Caracaranã

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