DayTrippers – Paixão em Viajar

Por Que Nós Não Pagamos Propina?

Sempre que trocamos ideia com outros viajantes em expedição, falamos de um assunto bastante comum e polêmico no dia a dia de quem vive na estrada. As famosas propinas. Pagar ou não pagar?

Pela estrada, em Mendoza, Argentina

Não alimente o sistema!

Dar propina é ilegal, imoral e alimenta o sistema. Alimentar o sistema é sempre tema nas rodas de overlanders e todos nós queremos passar essa consciência adiante para futuros viajantes, pois quanto mais dinheiro damos, mais eles querem, e a corrupção não tem fim! Você paga uma propina aqui e logo mais à frente eles te param pra pedir novamente, porque o companheiro que ganhou na primeira vez, ligou avisando que você é um bom pagador. E dá-lhe corrupção, aquela mesma que condenamos em Brasília, suja!

Pela estrada no Atacama, Chile

Errados estão eles

Além disso, muita gente tem receio de não pagar essa “taxa” extra – normalmente solicitada pelas autoridades fardadas e muito comum nos países da América do Sul – pois acreditam que podem se dar mal negando o pagamento. De fato há um risco, mas vale muito usar de bom senso pra lidar com a situação e lembrar, antes de colocar a mão no bolso, de que são eles quem estão fazendo algo muito errado e têm o receio de serem pegos no ato.
Bom, isso pra dizer que nós somos contra pagar propinas, se estivermos errados, pagaremos multa. Já fomos vítimas de algumas situações e nunca deixamos dinheiro em 49.711km de viagem, só negociamos quando nossa segurança estava comprometida, e o que demos não foi exatamente dinheiro, como vou contar a seguir.

Pela estrada, de terra

Espera aí que eu já volto, Bolívia

Uma vez quando fomos entrar na cidade de Copacabana, na Bolívia, o policial nos parou para informar que teríamos que pagar uma taxa para entrar na cidade porque nosso veículo era estrangeiro. Dissemos que pesquisamos antes de ir e que não havia nenhuma informação a respeito disso. Não é que o policial tirou um boleto rosa com o valor de 30 bolivianos, dizendo ser o “ingresso” para entrar na cidade?? Enquanto ficávamos parados ali com eles, outros dez carros passaram e ninguém foi parado. Conclusão, aquilo não era mesmo verdade. Dissemos que como não sabíamos da tal taxa, estávamos sem dinheiro, mas que iríamos na cidade buscar e voltaríamos para pagá-los… nunca mais voltamos, estão até hoje nos esperando!

Pela estrada da morte, na Bolívia

No hablamos español, Peru

No Peru, nos pararam dizendo que vidros com película escura eram proibidos. Dissemos que ao entrar no país vistoriaram o carro e estava ok, mas insistiram e nós passamos a responder tudo o que eles perguntavam em um português claro, caótico e rápido, dizendo que no Brasil era permitido e que na fronteira autorizaram. Nos perguntavam se falávamos espanhol, e nós respondíamos em português que sim, repetíamos toda a história, os dois falando ao mesmo tempo, igual a dois loucos. Se cansaram e perguntaram por uma pequena trinca no vidro, usamos a mesma estratégia. Chamaram outro colega e depois o superior, que se cansou de tentar nos entender e nos mandou embora.

Pela estrada, em Nasca, Peru

Pior momento, na Venezuela

Outra vez, na Venezuela, fui “multada” por passar a 30km/h em frente ao posto policial. Vocês não imaginam o escândalo da autoridade, a agressividade, eu não estava entendendo nada, parecia que tinha cometido um crime! Me levou até o posto policial onde fizeram a multa e pediram que eu pagasse lá. Eu até tinha a grana, mas não era o policial que tinha que receber esse dinheiro, então eu disse a ele que não tinha. Ele disse pra eu ir buscar, mas como, se o caixa mais próximo estava a quilômetros dali? Então ele resolveu me “ajudar” dizendo que não me daria a multa, mas que em troca queria um presente do Brasil. Meu amigo, estamos fora do nosso país há 9 meses e já não temos mais nada de lá, somente as roupas do corpo e o carro. Então ele me disse que colecionava “notas” de outros países, mas eu só tinha moedas do Brasil. Ai meu Deus!!! Ofereci gentilmente nossos postais e ele não gostou muito da ideia. Então resolvi ir até o carro para ver se encontrava algo e lembramos do saco de balas que tínhamos ali pra dar para as crianças, que ótima ideia! Voltei lá e dei três balas de morango de presente pra ele junto com uma nota de 2 reais que encontrei na minha carteira. Vocês acham mesmo que se eu tivesse sendo multada por justa causa o cara iria aceitar essa lembrancinha como presente???

Pela estrada, na Venezuela

E seguimos dessa maneira, com tempo de sobra pra esgotar a paciência de policiais corruptos, fingindo não entender o idioma local quando sentimos que o cidadão está mal intencionado, oferecendo balas de morango de recordação, ou simplesmente dizendo não, não temos dinheiro. Nunca nos sentimos ameaçados, pois sabemos que o erro e receio é maior da parte deles. Até então, tem dado certo.

Pela estrada, Parque Nacional Eduardo Avaroa, Bolívia

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