DayTrippers – Paixão em Viajar

Respeitável público, Moscou!

Apenas 700km separam São Petersburgo da capital russa, Moscou. Daria até pra fazer essa distância em um dia, não? Não, nem pensar! Levamos 3 dias nesse trajeto, com um trânsito que parecia a marginal pinheiros em horário de pico na sexta-feira. No primeiro dia dirigimos até escurecer e dormimos em um posto cujo frentista nos acordou no meio da noite pra cobrar 100 Rublos pela dormida, primeira vez na viagem que pagamos pra dormir em um posto. No dia seguinte partimos as 7 da manhã e rodamos 250km até as 8 da noite, quando paramos pra dormir em outro posto bem perto de Moscou, animados com a média de 23km/hora feita no dia. Mais uma vez acordamos pra entrar em Moscou ainda amanhecendo, com um trânsito que nos segurou por 3 horas nos 40km finais até o camping.

Moscow

No trânsito…

Moscou é uma das cidades mais populosas do mundo, famosa por ter a segunda maior comunidade de milionários do planeta. Perdeu o status de capital para São Petersburgo em 1713, recuperando em 1918 após a Revolução de Outubro quando se tornou capital da União Soviética.

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“Moscou”

Antes de começar a turistar fomos na Embaixada da Bielorússia preparar nossos vistos, o que não seria tarefa simples, não pelo visto mas pra sacar dinheiro e tirar fotos. O caixa eletrônico se negava a nos entregar os rublos e no shopping onde fomos tirar a foto além de ninguém se esforçar na comunicação, depois de subirmos e descermos de um lado para o outro fomos revistados no meio do corredor por um guardinha extremamente mal educado. Assim foi em muitos lugares na cidade, nos olhavam dos pés a cabeça e nossas roupas de mochileiro pareciam não agradar os “milionários”. Acabou que conseguimos.

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GUM, o luxo da capital

Por outro lado, os funcionários do camping, apesar da ausência de uma língua comum, eram só sorrisos e piadas, um prazer. Pra melhorar o camping é bem central na cidade, mas em uma cidade com 12 milhões de habitantes nada é exatamente central. Um ônibus e um metrô nos levaram pra uma parada obrigatória para todos que visitam Moscou, a Praça Vermelha.

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No camping, congelando e preparando acampamento


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Cozinhando e esquentando dentro do carro

Um ícone há séculos, o nome da praça não tem nada a ver com comunismo ou os tijolos vermelhos das construões ao redor, mas sim com uma tradução equivocada do russo “krasnaya” que pode significar “bonita” ou “vermelha”. E a praça faz jus ao nome. Cercada pela muralha do Kremlin, com a Catedral de São Basilio (ou St. Basil) em uma ponta, o imponente Gum do outro lado e fechando o quadrado o Museu Histórico do Estado. Pra completar, uma cereja no bolo, o túmulo onde o Lenin está embalsamado, aberto pra visitação. A estrela da praça é a Catedral, em estilo único russo, com seus tijolos vermelhos e abóbadas coloridas ela domina a face norte da praça deixando todos de boca aberta, seja de dia, ou de noite, quando a praça toda se ilumina, pedindo para ser visitada.

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A famosa St. Basil

Animados pra conhecer mais da história da Rússia, da ex-União Soviética e da cidade em si nos juntamos a um free walking tour congelante. Mal chegamos a outubro e o termômetro já rodava batia nos -15ºC. Nossa guia, super simpática, nascida na Sibéria, nos levou pra conhecer algumas igrejas ortodoxas, que tiveram todo tipo de função durante o período do comunismo, quando as religiões foram proibidas. Sorte a das que viraram armazém ou estábulo, muitas outras foram destruídas. Passamos novamente pela praça vermelha e entramos no Gum para aproveitar o ar quente do que hoje é um shopping de luxo mas já foi o maior mercado central da União Soviética onde camaradas de todos os lados vinham abastecer a despensa já que esse era um dos poucos lugares onde as lojas não ficavam sem produtos, mas as filas podiam cruzar a praça.

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No Free Walking Tour, tudo gira em torno da praça vermelha

Vale a pena pegar esse Free Walking Tour, foi dos bons. Queríamos ter feito outros tours guiados porque além da beleza arquitetônica a Rússia tem uma história recente das mais interessantes e complexas que já escutamos. Só não ficamos mais pois em uma semana receberemos uma visita queridíssima na Polônia e não podemos deixá-la no aeroporto esperando.

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A praça a noite!

Dos programas noturnos que queríamos fazer, um foi abandonado por conta dos ingressos esgotados, o famoso Balé Bolshoi fica para a próxima. Mas eu estava devendo uma ida ao circo pra Isa, ela adora, e nada melhor que depois de ter ido a tantos “circos de moscou” em nossas cidades do interior do Brasil, finalmente conhecer o original, Circo de Moscou! Em uma estrutura de alvenaria que imita o formato de uma lona de circo, ele não tem muito do circo tradicional como gostamos mas impressionou e nos deixou satisfeitos com performances mais no estilo Cirque du Soleil.

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Respeitável publico, o Circo de Moscou!

No dia seguinte acordamos cedo para visitar o Lenin mas sem saber que o limite era 11 da manhã ficamos sem essa. Só faltava mesmo era conhecer o Kremlin, o centro das deciões no país. Cercado por muralhas e 20 torres de guarda, ocupa uma área de 28 hectares e abriga muitas igrejas, palácios, a sede do governo russo e é em conjunto com a Praça Vermelha Patrimônio Mundial da Unesco. A arquitetura é deslumbrante e os detalhes em dourado das igrejas combinavam perfeitamente com as folhas amarelas do outono. Por dentro, os ícones, típicos da igreja ortodoxa russa, enriquecem a decoração. No pátio, um canhão e um sino gigante completam a ambientação do centro do poder do maior país do mundo, 2 vezes maior que o Brasil, a Rússia.

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A beleza do Kremlin

Próximos passos

Visto de apenas 3 dias em mãos, vamos cruzar a Bielorrússia correndo, mas vamos aproveitar pra conhecer um pouco dessa ex-república Soviética.

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