DayTrippers – Paixão em Viajar

Manaus: A Nossa Experiência Na Amazônia

Manaus fica em um lugar onde não deveria haver uma cidade. No meio da Amazônia, a maior floresta do mundo, está entre uma das 10 cidades mais populosas do Brasil. Engolindo o fato, chegamos dispostos a conhecer esse ícone brasileiro e o que fosse possível da floresta amazônica, nosso maior objetivo. Além disso, para sair da cidade rumo a Alter do Chão no Pará, teríamos que colocar o Curumim em uma balsa por alguns dias descendo o rio Amazonas a um preço que coubesse no nosso bolso, assim que consertássemos a bomba de direção que estava vazando.

Pôr do sol na Ponta Negra, contraste entre natureza e cidade

Ficamos uns 10 dias em Manaus, entre idas e vindas aos portos em busca de uma balsa, voltas pela praça do teatro buscando um espetáculo gratuito ou comendo um tacacá, passeios pelo mercado para comprar peixe fresco e barato, enquanto ficávamos na casa do Guto, nossa única experiência com couchsurfing (uma rede social que faz a ponte entre turistas que querem hospedagem grátis durante uma viagem e pessoas que gostariam de receber esses visitantes) até agora.

Preparando um molho pesto na casa do Guto

Nesse meio tempo conhecemos o pessoal do Amazonas Jeep Clube, e um cara pra lá de especial, o Max, que nos recebeu como se já nos conhecessêmos há anos. Nos levou ao seu mecânico, no restaurante flutuante pra comer a banda de tambaqui assada, um dos melhores peixes que já comemos até hoje, também para comer X-caboclinho no café da manhã, o típico sanduiche com tucumã, bolo de tapioca e muitas outras delícias da culinária amazônica enquanto seguíamos para conhecer o famoso boto-cor-de-rosa. Ele nos “adotou” e, entre tantas programações, nos ofereceu também a sua casa, uma das amizades que guardaremos para sempre desse tempo de estrada.

Comendo banda de tambaqui na brasa com nosso amigo Max

Um dos clássicos da Amazônia, o boto, é um golfinho de água doce que ocorre nas bacias do Amazonas e do Orinoco e que chega a mais de 2,5 metros e 180kg. Esse passeio que fizemos ao que consta é melhor que o de Novo Airão pois é menos frequentado, o que pudemos perceber quando entramos sozinhos com o boto na água. Os guias seguem normas para alimentar os botos e trata-los com cuidado tornando a interação com o animal muito agradável. Nadar com esses bichos rosas, de pele parecida com borracha e dentes pretos é realmente uma experiência única!

Nadando com o Boto

O Max também indicou pegar um dia de praia (aconselhamos durante a semana, pois as praias estão mais vazias e sem as caixas de som no último volume como de costume), o que fizemos e gostamos, mas que por sorte nos levou a um outro passeio que adoramos: o Museu do Seringal. Esse museu é uma incursão ao ciclo da borracha, com histórias interessantíssimas, custa R$5 por pessoa e é alcançado de barco partindo da Marina do Davi, mesmo ponto de partida para a praia da Lua e do Tupé. O ancoradouro é usado pelos ribeirinhos que vão e vem para suas comunidades, o que torna a experiência mais interessante. Como não havia barco saindo para o Tupé, ficamos na praia da Lua.

Isa testando a lanterna dos seringueiros

Depois de conhecer sobre o ciclo da borracha, estávamos prontos para conhecer o Teatro Amazonas, fruto da riqueza oriunda dessa época, fundado em 1896, palco de muitos espetáculos gratuitos e que nos brindou com a Amazonas Filarmônica regida por Roberto Minczuk, um dos mais importantes maestros da atualidade no Brasil, não que a gente entenda algo disso, mas foi inesquecível. Sem contar a beleza e grandiosidade do espaço que vale uma visita por si só.

Observando a grandiosidade do Teatro Amazonas

Para completar e empenhados em conhecer o famoso “encontro das águas”, mas sem dispor do dinheiro necessário (uns 240 reais para o casal) aproveitamos uma das idas ao porto na busca da balsa para o Curumim e negociamos com um dos barqueiros da cooperativa um bom desconto em troca de fazermos as fotos para o negócio dele. O passeio inclui outras coisas, como conhecer a árvore gigante Samaúma, ver vitórias-régias, passar pelas comunidades flutuantes e a parte esquisita que foi quando paramos em uma palafita e uma moradora saiu da casa com uma jibóia na mão, e a cada entrada e saída vinha com uma preguiça, um jacaré, enfim, nós que não gostamos de zoológico achamos a atração no mínimo bizarra. E lá fomos para o encontro das águas, onde eu não podia deixar de nadar pra sentir na pele a diferença de temperatura, um dos fatores que faz com que o Rio Negro e o Solimões só se misturem depois de uns 6 quilômetros lado a lado. Densidade e velocidade são os outros fatores.

Encontrando as águas

Sentimos que não conhecemos de fato a Amazônia e que para isso precisaremos voltar um dia para passar meses, mato e rio a dentro, de barco por entre comunidades ribeirinhas e áreas desabitadas para um dia entender um pouco mais sobre essa imensidão verde. Mas Manaus, apesar de um pouco caótica, foi uma grata surpresa!

Vitórias-régias

Dicas:

– Banda de tambaqui assado no Flutuante da Doró na Estrada do Vivenda Verde – Nadar com os Botos: Recanto do Boto (estrutura para receber cadeirantes) falar com Silvana (92) 9174-2894/ 9124-6679/9217-2250 (acesso somente de barco), R$50,oo por pessoa + R$100,00 do barco. De meados de outubro ao final de dezembro é período de seca, por isso não é possível chegar de barco até o Recanto. – Passeio do encontro das águas com o Ricardo Lima (92) 9307-3461- Barco para mais de 4 pessoas R$100,00 por pessoa. Para quem curte mais exclusividade é possível fechar o barco a R$400,00 para fazer esse passeio. Saída do Porto Seasa, Cooperativa Solinegro. É possível agendar outros passeios também com o Ricardo. – Buscar frutas exóticas da Amazônia nas barraquinhas de frutas próximas ao aeroporto – Assistir um espetáculo no Teatro Amazonas, de preferencia uma orquestra, muitas programações são gratuitas. – Visitar o Museu do Seringal com saída da Marina do Davi – Barco Igarapé São João R$9,00 ida e volta por pessoa + R$5,00 entrada do museu – Praia do Tupe -R$15 por pessoa se encher o barco. Infelizmente não conseguimos encher o barco para irmos até lá, mas dizem que é linda. Visitamos Manaus em Outubro de 2013

Garota manauara na feira de frutas

Próximos passos

Consertar a bomba de direção e acertar a balsa para o Curumim a um bom preço foi uma odisseia que nos levou a pessoas fantásticas e 3 dias de Rio Amazonas abaixo em pura contemplação de muito horizonte, nascer e pôr do sol.

Na balsa, nós e o Curumim, rumo a Santarém