DayTrippers – Paixão em Viajar

Litoral Norte Chileno: Os Paraísos De Punta Choro, La Virgen, Pan de Azucar, Bahia Inglesa

Depois de morar algum tempo no Rio de Janeiro, Isa 3 anos, Rafa 1, e ir à praia todo final de semana, depois de tantas lindas montanhas e lagos a saudade da areia e do mar estavam fortes. Nós ainda não conhecíamos bem nenhuma praia do oceano pacífico, estávamos curiosos para conhecer e sentir um pouco da brisa desse oceano que, de pacífico, só tem o nome.

Bahia Salada, no litoral chileno

Do Paso de Água Negra estavamos a uns 150km do litoral. Descemos cruzando pelo belo Vale do Elqui, repleto de vinhedos e montanhas rumo aos zero metros sobre o nível do mar.
Passamos por La Serena, uma cidade grande costaneira, abastecemos a geladeira, o tanque em um posto e saímos já meio tarde para Punta Choros. Um chileno que conhecemos havia dito que era sua praia preferida e se tratava de um vilarejo de pouca gente e bela natureza.

Punta Choro estava cinza, porém linda

Chegamos já de noite, coisa que não gostamos, principalmente quando ainda não temos onde ficar, como era o caso. Fora de temporada, passamos por uns 3 campings com as luzes apagadas e cadeado no portão. Encontramos um todo organizado com um senhor sistemático que pedia 7.000 pesos chilenos por pessoa, equivalente a USD 15. Totalmente fora do nosso orçamento, fomos arriscar a sorte em um próximo, o brisas del mar. Sorte a nossa, ali estava o dono, o Léo, um cara muito simpático que nos recebeu como em sua casa. Negociamos bom preço para ficar mais dias e nos instalamos em uma das áreas do camping, que tinha baias individuais e banheiros individuais! Um luxo!

Jantar entre amigos, com Léo, Nelson e Juan Pablo

O Léo estava organizando uma saída para o mar, junto ao Nelson e o Juan Pablo, amigo e gerente da pousada, a preço de locais (metade!), ou seja USD 5 por pessoa e nós embarcamos. A ideia era rodar a famosa “Isla Damas” e ver um pouco da fauna composta de pinguins, cormoranes, pelicanos, gaivotas, lobos marinhos e buscar o principal, os golfinhos que por ali passam naquela época. Eu estava muito ansioso, nunca havia visto golfinhos e adoro ver animais “inéditos”. Olhos bem atentos e a Isa me sacaneou dizendo que eu era pé frio de tanta vontade de ver os animais que eu tinha… Bem, pé frio ou não, os golfinhos não apareceram, mas quem deu as caras, corcova e rabo foi um casal de baleias jubarte. Uma emoção, a Isa querendo chorar, eu boquiaberto, câmeras fotografando, um espetáculo da natureza! Bem, nesse caso o golfinho não fez tanta falta, já podíamos voltar à terra com sensação de dever cumprido.

Baleia jubarte que nos deu o ar da graça

Família de lobos marinhos

Outros vários dias se passaram em Punta Choros, na companhia do nosso querido El Bigodon, um cachorro que adotamos temporariamente no camping, boas noites com o Léo e sua trupe, com direito a vinho, jantar e conversas sobre a época em que ele ficou exilado na Bélgica durante a ditadura Pinochet, e o amigo Julian, ambientalista que estava ali a trabalho e que gentilmente nos convidou para assistir a um jogo do Brasil e Chile com direito a cerveja e churrasco. Então era hora de partir, ficou pra trás um lugar especial e fomos atracar em um próximo porto, muito engraçado. Era tarde e as cidades que vimos no mapa estavam literalmente trancadas. Fora de temporada, os proprietários saem e fecham a porta da cidade! Sorte a nossa que encontramos uma casa em construção e o proprietário nos permitiu acampar no quintal. De quebra ganhamos um cafezinho quentinho dos pedreiros no dia seguinte!

Jantar com nosso amigo Julian

Free camping na construção

De lá seguimos para uma outra indicação, Playa de La Virgen, parando antes na bela Bahia Salada para uma tarde de tentativas inglórias de pescar, enquanto a Isa relaxava com um livro. Chegando a La Virgen encontramos um cenário paradisíaco e quase que completamente vazio. Logo encontramos uma figura de simpatia ímpar, o Fernando, dono das cabanas e da área de camping que me informou que no momento o empreendimento estava fechado mas que poderíamos acampar por ali. Perguntei-lhe sobre onde comprar um vinho naquele lugar remoto e ele disse que não havia, mas para não me preocupar que nos convidaria naquela noite. Depois de um mergulho com ele no pacífico, uma água extremamente fria mas cristalina, nos arrumamos e subimos para sua casa. Que noite! Que recepção! Vinho, churrasco, muita conversa com esse querido amigo que um dia voltaremos a rever. E pra completar, nos convidou para dormir em um dos quartos naquela noite fria.

Visual da belíssima Playa La Virgen

No dia seguinte, conhecemos com o Fernando algumas áreas escondidas e lindas naquela praia e antes de seguirmos viagem ele nos deu uma garrafa de espumante como presente de casamento, além de carne de siri e um saquinho de risoto instantâneo. Agradecidos e engrandecidos com tamanha recepção fomos parar naquela tarde em Bahia Inglesa, onde conhecemos mais pessoas especiais.

Café da manhã com o querido Fernando

Passamos o dia em um restaurante local, o Tomorrou, muito simples, que o Fernando nos indicou, tomando vinho e experimentando a especialidade da casa: mariscos frescos, colhidos na hora. Comemos ostiones, uma espécie de ostra, ao toque do limão elas pulavam, para delírio dos chilenos que adoravam todo esse “frescor”, nós fechávamos os olhos e nos deliciávamos. Mais tarde, enquanto eu preparava um risoto de siri na praia, assistindo o pôr do sol, a Isa foi até o camping fazer xixi. E demorou, até que comecei a me preocupar e ela apareceu. Havia conhecido uma família de chilenos com quem logo nos juntamos. Lilly, Oscar e Isadora. Os pais em seu motorhome e a filha acompanhando um pouco. Eles comentaram que fizeram uma viagem de 6 meses, inclusive passando pelo Brasil, com um pequeno detalhe, ela é cadeirante. Lindo exemplo de determinação e alegria com suas risadas gostosas!

Tumorrou: restaurante beira mar

Hora de partir! Combinamos com nossos amigos de nos encontrarmos novamente no próximo destino, o Parque Nacional Pan de Azucar, onde acampamos com os pés na areia. Lá com Lilly e família nos juntamos a uns mochileiros e fizemos uma grande festa a noite. Experimentamos outra novidade do mar chileno, o “loco” um outro tipo de marisco que vem em uma concha mas é do tamanho de uma mão fechada. Esse não dá pra comer vivo e provamos cozido, com maionese, à moda local. Muito bom!

Festa de viajantes

Pan de Azucar também deu para curtir um pouco de fauna, em especial os preguiçosos pelicanos que ao invés de caçarem, ficam ali por conta dos restos de tripa lançados pelos pescadores. Como nos divertimos com os pelicanos, muito comuns no pacífico, mas bem diferente para nós que estamos mais perto do atlântico. E um avistamento rápido e longínquo de uns golfinhos, talvez quisessem me mostrar que estavam sim, ali!

Pelicanos disputando um resto de peixe

Pelicano

Ah, quase me esqueço, em Bahia Inglesa tive a brilhante ideia de tirar a barba e deixar apenas o bigode, homenagem ao El Bigodon!

Rafa e El Bigodón

Confira a galeria de fotos do Litoral Norte Chileno!

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