DayTrippers – Paixão em Viajar

Imigração e Aduanas – A Árdua Tarefa De Cruzar Fronteiras

O que é preciso para cruzar as fronteiras na América do Sul com o carro? Basicamente o RG (passaporte somente para os que não são sul-americanos), o documento do veículo e o seguro obrigatório que alguns países exigem e que você poderá adquirir ao entrar no país.

Chegando na fronteira, apresenta-se o documento pessoal na imigração e o documento do veículo na Aduana, será feito um papel para o seu visto no país e outro para o carro, indicando a data de entrada e o tempo de permissão para viajar dentro do país, pronto. Fácil assim! Então porque essa é uma árdua tarefa? Bem, aí entram as paranoias de cada país e a boa vontade dos oficiais de fronteira para nos enlouquecer.

Dica geral

Sem perder o respeito, quebre um pouco o gelo na relação com a polícia. Ao ser parado em uma blitz, cumprimente o oficial com um aperto de mão, pergunte como vai e seja gentil, você só tem a ganhar com isso.

Evite dirigir a noite, em geral é quando acontecem os problemas que comprometem a segurança.

Vá com calma, tempo e comida para as fronteiras, nunca se sabe quanto tempo vai demorar.

Cone Sul

Uma regra que permanece em Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile é a necessidade da carta verde, um seguro para danos a terceiros que pode ser feito no Brasil mesmo e custou USD 100 para 3 meses. Também pode ser feito em diversos comércios das cidades fronteiriças. Além disso, é preciso manter os faróis acesos na estrada mesmo durante o dia nos países listados acima.

Paraguai

Nossa primeira fronteira foi a do Paraguai, cruzamos de Foz do Iguaçu no Brasil para Ciudad del Este no Paraguai. A passagem é livre para os vizinhos, mas na dúvida, perguntamos ao policial brasileiro que se ocupava em observar uma bunda que passava pela ponte da amizade e ele disse que basta passar. Dissemos que não iriamos apenas cruzar para comprar bugigangas e voltar, e sim seguir pelo país e ele confirmou que nada. Foi um amigo brasileiro que nos alertou da necessidade de fazer a imigração e legalizar os papéis do carro para seguir ao interior do país. Voltamos até à fronteira para então legalizar a situação. Nessa, especificamente, é preciso peregrinar atrás das informações certas e buscar o local correto para fazer imigração e Aduana.

Pra onde vamos?

Argentina

Cruzamos para a Argentina algumas vezes. A primeira, vindo do Paraguai, mostrou que a coisa era séria, o Curumim passou por um scanner para carros enorme, mas não encontraram nenhum contrabando em nossa bagagem. Depois disso, cruzamos de balsa do Uruguai para Buenos Aires (Buquebus), em uma entrada tranquila. Já dentro do país, fomos surpreendidos quando cruzamos para a patagônia. Como a área é livre de febre aftosa, é proibido o ingresso de determinadas frutas, carne e laticínios. Tínhamos acabado de passar em uma barraca de produtos artesanais e aí se foram laranjas e metade do meu salame, a outra metade comi ali mesmo. Outras 2 vezes cruzamos entre Chile e Argentina tranquilamente, quando na 5a vez, surpresa! Como o Chile tem melhores frutas e produtos frescos, fomos a uma feira livre e nos abastecemos. Na entrada de Santiago para Mendoza (a fronteira mais movimentada entre Chile e Argentina), a regra mudou e fomos obrigados a destruir 5kg de frutas e vegetais!

Também nos comentaram que é obrigatório ter dois triângulos de emergência no carro, mas nós contamos com a sorte e nunca nos pediram. Além disso, em teoria, só o dono do carro pode dirigi-lo, mas novamente a sorte ajudou.

Casal de franceses com filho de 3 anos cruza do Chile para Argentina de Bike

Uruguai

A entrada mais tranquila da América do Sul, uma rápida imigração e Aduana sem filas mostravam que vinha pela frente um país muito amigável e relaxado. O problema é só o preço do diesel que gira em torno de USD 2 o litro.

Fiscalização tranquila de um país tranquilo

Chile

O Chile possui características naturais que o protegem de todos os males que podem atacar a agricultura, seja plantas exóticas ou pequenos insetos monstros. Ao sul, o país é isolado pelo gelo da patagônia, a leste, pela cordilheira dos Andes, a oeste, pelo oceano pacífico, e a norte, pelo deserto do Atacama. Então fica a cargo do controle fronteiriço evitar a entrada de toda e qualquer praga.

Isso significa que as entradas são sempre momentos de preocupação para quem carrega comida. A regra básica é que não se pode cruzar com frutas e vegetais frescos, então acostumamos sempre a fazer um sopão de vegetais antes de cruzar e comer as frutas. Mas aí vem o bom humor dos oficiais. Como entramos no país 5 vezes, passamos por proibição de laticínios, grãos e até sementes de colarzinho indígena. Na 5a vez que cruzamos, foi confiscado nosso feijão mineiro que vinha no carro há uns 4 meses, desde o Brasil, e nossa pimenta do reino em grãos, mas os convencemos a deixar-nos cozinhar ali mesmo, na imigração, e não perdemos nada. Saiba mais sobre esse episódio em: Paso de Agua Negra

Imigração em uma fazenda entre Chile e Argentina

Bolívia

A Bolívia não tem muita regra, cada dia é uma história nova, portanto vamos relatar um pouco do que passamos para prepara-los um pouco quando forem visitar o país.
Com fama de país mais corrupto da América do Sul, sentimos logo que qualquer autoridade fardada na Bolívia inventa desculpas para tentar tirar algum extra de turistas, como por exemplo, pedindo dinheiro por uma entrada para veículos estrangeiros em Copacabana, o que não existe!
São inúmeros os exemplos das desculpas esfarrapadas dos policias em busca de algum trocado. Você pode estar com tudo em dia, eles sempre encontram algo de errado ou alguma “novidade” na lei do país que te obriga a pagar uma taxa. Já passamos por algumas e ouvimos várias de viajantes na estrada. Mas nunca pagamos nada!
A nossa entrada foi tranquila, e como uns amigos tinham dito que era bom ter um carimbo no papel do carro cada vez que mudássemos de província (isso pode ser uma novidade na lei), fomos pedir o carimbo no posto policial. Após carimbar, ele nos pediu 5 soles (USD 0,60). Mas a questão não é o valor, e sim, o que é correto. Como não havia uma justificativa coerente para a atitude do policial, dissemos que não tínhamos e fomos embora. Outra questão que pode evitar problemas, é manter os comprovantes de pedágio guardados, nós íamos grampeando todos juntos.
Único país com uma revisão na saída. Em função do subsidio, não se pode sair do país com um cilindro de gás comprado ali e nem combustível extra em galões. Nosso cilindro tivemos que vender a baixo preço ali mesmo para o oficial da Aduana e, o diesel, os convencemos que era de segurança e vinha em cima do carro desde o Chile, mas ficou claro que queriam arrumar problema.
Comprar combustível a preço de local no país é uma arte que foi detalhada no post: http://www.daytrippers.com.br/a-nada-simples-tarefa-de-se-comprar-diesel-barato-na-bolivia-2
Em breve: Post sobre como agimos quando nos pedem proprina

E o gás ficou…

Peru

A entrada no Peru por Copacabana-Puno foi um prazer. Fomos muito bem recebidos por um senhor, oficial aduaneiro, que nos deu as boas vindas ao país, tirou fotos conosco e desejou boa sorte. O país também é famoso pela corrupção nas estradas. A única vez que tentaram nos causar problemas começaram dizendo que vidros polarizados (insulfilm) são proibidos no pais, mas começamos a responder em um português confuso e rápido que no Brasil é permitido e que a Aduana permitiu até cansar o policial que nos deixou ir. A partir daí passamos a pedir na Aduana que fizessem uma observação sobre os vidros no papel do carro. Também passamos a usar a tática de não falar espanhol quando percebíamos que o policial estava mal intencionado.

Começa no Peru a necessidade do SOAT (Seguro Obrigatório para Acidentes com Terceiros) que pode ser comprado em comércios e postos de combustível, mas raramente é solicitado nas estradas.

As vezes a fronteira é prazerosa

Equador

Entrada na fronteira Tumbes-Huaquillas tranquila e saída extremamente demorada com uma fila de umas 3 horas na imigração. O detalhe no Equador é que o combustível é subsidiado e muito barato (USD 0,5 o litro), então é bom se preparar para entrar e sair do país. Deixamos o combustível bem perto do fim antes de entrar, mas é bom ficar de olho e contar com o fato de que os postos perto da fronteira não abastecem mais de 10-20 litros por veículo. Ao sair, em teoria, também não se pode levar galões extras, mas no nosso caso não checaram nada.
SOAT obrigatório.

Será que assim pode cruzar?

Colômbia

Os trâmites do veículo e a imigração na fronteira Tulcan-Ipiales foram muito tranquilos. A paranoia na Colômbia fica por conta do narcotráfico, então o veículo é bem revisado na entrada e a cada poucos quilômetros você cruzará com policiais ou exército fortemente armados, um clima quase de guerra. Entretanto, as placas estrangeiras geralmente passam direto ou são paradas apenas para matar a curiosidade dos militares que perguntam de onde vem, para onde vão, o que fazem e, após um aperto de mão, nem o documento pedem.
SOAT obrigatório.

Saindo da Colômbia e entrando na Venezuela, lanchinho na fila

Venezuela

A fronteira Maicao-Paraguachon é um caos. O intenso fluxo de carros velhos venezuelanos, de um lado para o outro transportando pessoas e mercadorias, fez com que nossa entrada no país demorasse 5 horas. É bom ir com paciência. O SOAT é obrigatório, mas apresentamos um outro papel qualquer de seguro que foi aceito e já ouvimos relatos iguais. Por ali se pode trocar dinheiro para aproveitar o câmbio negro 6 vezes melhor que o oficial, o que faz da Venezuela um país com preços surreais de tão baratos. Já a saída na fronteira com Pacaraima-RR no Brasil, é o exemplo da tranquilidade e organização. O stress fica por conta do posto de combustível internacional, a última chance de encher o tanque na Venezuela com R$30, mais caro que no interior do país, mas ainda assim, extremamente barato. As filas são enormes, mas informe os militares que controlam a fila que você é um turista, e terá prioridade em relação aos roraimenses que vão todos os dias naquele posto. Você só perderá a prioridade diante dos que pagam um “extra” para que os militares os coloquem à frente da fila. Sinceramente, essa situação é muito comum, e ficamos indignados com isso!

Da Venezuela para o Brasil!

Esse post será alimentado com mais informações à medida que cruzarmos novas fronteiras. Portanto não deixem de checar!

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