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Paso de Água Negra: Há Males Que Vem Para O bem!

Quando cruzamos de Santiago no Chile para Mendoza na Argentina tivemos uma pequena decepção como já comentamos. Em função das obras na estrada quem ia sentido Mendoza tinha que ir pela noite, então não pudemos ver os famosos caracoles, estradas em um eterno S para cruzar os mais de 4.000m da Cordilheira dos Andes. Não bastasse a polícia Argentina nos pregou uma bela peça confiscando uma grande quantidade de alimentos.

As incríveis montanhas coloridas do Paso de Água Negra

Vida que segue, de Mendoza fomos mais ao norte até o Parque El Leoncito que foi falado no post anterior e de lá seguimos mais ao norte ainda, a fim de cruzarmos para o Chile na altura de La Serena. Depois de errarmos o caminho, quase ficarmos sem combustível ao ponto de ter que usar o galão reserva que levamos no bagageiro e dormir na cidade de Rodeo, muito apreciada para a prática de windsurfe e kitesurf, acordamos para correr um pouco em volta da lagoa e sair destino ao Chile.

O Paso de Agua Negra é uma fronteira muito pouco utilizada, com estradas de terra beirando penhascos em meio a Cordilheira dos Andes. Entramos na estrada de pouco mais de 200km às 11 da manhã. No caminho, quando começamos a subir, o motor ameaçou esquentar umas três vezes, mas tirei um pouco o pé do acelerador e a temperatura voltou ao normal. Dali pra frente foi uma eterna subida, em meio a montanhas impressionantes por suas cores. Uma mistura de laranja, verde, roxo, marrom e a medida que íamos chegando aos 4.753 m de altitude, onde está a fronteira entre os países, o branco da neve ia tomando conta da estrada e dos picos. Um espetáculo!

A estrada em meio as montanhas coloridas

A divisa entre Argentina e Chile, a 4.753m de altitude

Nessa altitude o vento soprava forte e o frio era intenso. Foi o lugar mais alto que passamos até o momento. De lá começou a descida, talvez ainda mais impressionante pelas cores dos morros e pelo ponto de vista, mais privilegiado quando se desce. Ainda fomos presenteados com uma belíssima lagoa onde fizemos nosso almoço e cogitamos acampar. Melhor não, pois as aduanas de cada país se conversam para saber se ainda há alguém no meio do caminho antes de fechar às 18h. A perda dos caracoles foi muito bem recompensada aqui!

Lagoa cenário do nosso almoço

Bom, depois de 7 horas nesse trecho de 200km de tanto parar para admirar e fotografar a paisagem, chegamos à aduana chilena. Surpresa! O feijão que saiu de Coqueiral no Brasil e com o qual já havíamos cruzado para o Chile 5 vezes foi confiscado! Quase confiscado… convencemos o inspetor aduaneiro a nos deixar cozinhar ali mesmo o nosso feijão, assim não haveria problemas, pois a questão é com alimentos frescos. Também ralaríamos a nossa pimenta negra que não podia entrar em grãos. Enfim, a lógica disso é que poderíamos plantar o feijão e a pimenta em solos chilenos…

Set up da cozinha sempre pronto pra entrar em ação

Há males que vem para o bem! Enquanto cozinhávamos nosso feijão fomos abordados por um chileno de La Serena que nos comentou de umas águas termais não turísticas e pouco conhecidas em meio à cordilheira e muito perto dali. Opa! Mudança de planos, vamos conhecer essas termas! A noite já vinha caindo o que seria perfeito para essas águas quentes, mas ruim para encontrá-las. Pedimos a chave da corrente que restringe o acesso a área e fomos perguntando para pastores de ovelhas que apontavam e diziam que era logo ali.

E o logo ali nunca chegava de forma que depois de mais de uma hora dirigindo chegamos…. a uma mina de ouro, literalmente! Containers, barracas e rostos desconfiados nos olhavam e se aproximavam. Nos receberam muito bem, convidaram para jantar e tomar um chá ou café o que prontamente aceitamos. A comida estava deliciosa e discutimos a possibilidade de dormir por ali quando nos informaram que já tínhamos passado, e bastante, a entrada das termas. Nesse meio tempo o chefe do local entrou no assunto e disse que nos levaria até às termas. Acreditamos que os procedimentos de segurança de uma mina de ouro não permite visitantes acampados no quintal.

Jantando na mina de ouro a convite dos mineiros

Ainda bem, pois nessa mesma noite desse longo dia chegamos à La Hedionda, a água quente que buscávamos. Nós dois, a 3.500 metros de altitude, a cordilheira e um céu extremamente estrelado. Ali tomamos um vinho, relaxamos após esse lindo e longo dia gratos por estar em um lugar tão bonito e especial como aquele.

Vinho nas termas, nós e o céu

Coordenadas das termas: S 29 55.076 W 70 02.536

Confira a galeria de fotos do Paso de Agua Negra !

4 comentários sobre “Paso de Água Negra: Há Males Que Vem Para O bem!

  1. Carlos pila

    Quero acompanhar onde andam, já fiz de moto Passo Fundo -RS até antofagasta, passando por Paso de Jama.
    E setembro saio 15 dias estou decidindo onde ir.
    Boa viagem.

  2. ndrshnsn

    Demaaais!!! Cara, me tira uma dúvida… La Hedionda, é de fácil acesso e
    “no caminho”? É só chegar e entrar na terma? Não imagino que por ali
    exista algum refúgio, vocês ficaram na barraca mesmo, no meio da
    estrada? Só perguntas, hehehe…. Abraço!!!

    1. Rafael Avila

      Fala Blz? Entao, tem que dar uma sardinha logo depois da aduana chilena, pedir a chave pra policia e subir uns 30 minutos pela montanha.. o melhor eh de gás pela coordenada: S 29 55.076 W 70 02.536 La em cima de barraca mesmo, encostamos por la e dormimos… Abraço!!

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