DayTrippers – Paixão em Viajar

Cordillera Blanca: 4 Dias De Trilha Santa Cruz

Esse é mais um desejo de todo viajante que cruza o Peru. A Cordillera Blanca, é uma subcordilheira dos andes, com uma extensão 180km, 663 picos nevados, 269 lagoas, e muitas, mas muitas trilhas, que levam desde 1 dia até mais de 10. Nós fizemos o Caminho Santa Cruz sem guia, foram 3 dias intensos carregando todo o necessário para acampar no parque.

Um dos belos picos nevados

Chegamos à Huaraz, uma das principais cidades na região, junto com o Ron, nosso amigo israelense que iniciava sua viagem em moto. O Ron já sabia de um hostel onde ficamos enquanto planejávamos nossa trilha. Lá analisamos as possibilidades e decidimos fazer por conta própria o Caminho Santa Cruz. Fomos à feira, compramos pão, brócolis, cenoura, banana, abacate, lentilha, arroz, preparamos a mochila e fomos de carro até a entrada Llanganuco do Parque Nacional Huascarán.

Nós e o Ron na parada para almoço

Lá deixamos o Curumim (nosso jipe) e fomos fazer uma primeira trilha de aquecimento. Subimos até a laguna 69, um lago azul turquesa fruto de um derretimento de geleira que desce em forma de cachoeira. Uma das vistas mais incríveis até agora na viagem. Foram umas 6 horas entre subir e descer, com o visual valendo cada gota de suor. Pra finalizar, começou a nevar quando já chegava a hora de partir, belo presente! Voltamos à entrada do parque onde estava o Curumim e dormimos ali mesmo, perto do alojamento dos guarda parques, para sair no dia seguinte bem cedo.

Apreciando a Laguna 69

1o dia

Conseguimos um ônibus que vai até Vaqueria, 3 horas em meio à cordilheira, um cenário belo e uma viagem cheia de emoção, pois o trecho é muito sinuoso com precipícios e em alguns lugares, tem passagem somente para um carro. Em Vaqueria começamos o primeiro dia de caminhada, que durou 5 horas entre retas, subidas e algumas paradas, e nos mostrou que a perna e os ombros sofreriam, afinal carregávamos tudo, barraca, sacos de dormir, comida, roupa de frio, equipamentos de cozinha e fotos, enquanto o pessoal que cruzávamos seguia tranquilos com guia e burros de carga. A primeira noite foi no acampamento Paria vizinhos a um grupo que nos ofereceu sopa e chá, e nós aceitamos enquanto fazíamos nosso arroz com legumes.

Crianças na trilha

2o dia

Acordamos quando o sol nascia e o frio ainda cortava a pele. Era dia de sair cedo pois tínhamos 8 horas de caminhada pela frente, boa parte subida, para cruzar os 4.750m da Punta Unión, nosso recorde pessoal de altitude em uma travessia de caminhada. Muitos picos nevados, lagos, geleiras e frio. Não resistimos e negociamos com um guia que passava para carregar nossa mochila no burro, assim aproveitamos melhor o caminho. Chegamos ao acampamento Taullipampa no fim da tarde e eu tive a ideia de dar um pulo na água. Passei frio enquanto preparávamos a comida e o sol já caía deixando laranja os picos nevados e nos congelando. O calor ali é muito dependente do sol direto.

Acampamento pronto

3o dia

Novamente saímos bem cedo, outras 8 horas de caminhada vinham pela frente, cruzando um pequeno deserto de areia e uma erosão onde nos perdemos e adicionamos outra 1 hora ao percurso. Cruzamos um rio onde a Isa molhou o pé e a situação ficou mais difícil. Era um dia de pouca sorte mas as lagoas azuis distraíam o cansaço. Eu torci o pé 4 vezes e andava meio cambaleante. Nos cansamos muito e queríamos apenas chegar. Alguns fazem esse terceiro dia dividido em 2, acredito que seja a melhor opção. Assim chegamos a Cachapampa e de lá conseguimos um carro compartilhado até Caraz, onde pegamos uma van até Yungay e lá, por sorte, conseguimos uma outra van até a entrada do parque (onde estava o Curumim), chegamos às 22h00 e dirigimos de volta para Yungay para dormirmos exaustos e felizes por completar toda essa trilha maravilhosa.

Cruzando Punta Unión

Dica: Fizemos por conta própria gastando USD 55 por pessoa, fazendo com a agência eles cobram em média de USD130 por pessoa. Exige algum planejamento, mas nada muito complicado. A melhor opção é saindo de Huaraz, você desce menos. Saindo de Caraz é muita subida.

Vista de Punta Union

Ah, e de quebra, indo embora passamos pelo Cañón del Pato, um cânion formado pela junçao da cordilheira branca com a negra onde cruzamos os 35 túneis de apenas uma pista em meio as montanhas. Mais um belo visual pra ser apreciado cruzando o Peru!

O Cañón del Pato

Confira a galeria de fotos da Cordillera Blanca!

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