DayTrippers – Paixão em Viajar

De Mostar a Sarajevo, pela Bósnia e Herzegovina

Chegamos na Bósnia e Herzegovina cheios de expectativas, um mito pela frente, um país do qual escutamos falar na TV quando tínhamos 10 anos e as imagens não eram nem um pouco bonitas. Explosões, tiros, abusos, mortes, estupros em massa, na guerra mais longa e sangrenta em território europeu desde a 2ª guerra mundial. Após a dissolução da Iugoslávia os croatas católicos e os sérvios ortodoxos que viviam na Bósnia, apoiados por Croácia e Sérvia, tentaram se separar gerando uma guerra que durou 3 anos e terminou em 1995 após a morte de mais de 200.000 pessoas, sendo a maioria civis bósniacos muçulmanos. Discussões a parte a guerra teve caráter de guerra de agressão e 90% dos crimes de guerra foram cometidos pela Sérvia que ainda por cima manteve um cerco a capital bósnia por 44 meses com o objetivo de infringir sofrimento a população no que ficou conhecido como o “cerco de Sarajevo”.

Mostar

Prédios destruídos pela guerra

De lá pra cá as coisas não melhoraram muito, parte do país ainda tem autonomia sob maioria sérvia, a presidência é exercida em rodízio por 3 presidentes, um de cada etnia e a economia vai de mal a pior com desemprego altíssimo e recentemente tendo alcançado o título de país mais pobre da Europa. Nesse cenário está a linda cidade de Mostar, uma das mais destruídas durante a guerra, mas cheia de charme apesar dos muros povoados de buracos de balas e os cemitérios povoados de lápides que insistem em marcar 1993, 1994 e 1995.

Mostar

O cemitério de 1990 e pouco

O cartão postal da cidade é a “Stari Most”, ou “Ponte Velha”, uma bela ponte em arco que harmoniza com o calçamento de pedra do centrinho antigo. Ela foi originalmente construída em 1566, sobreviveu 427 anos, mas foi completamente destruída em 1993 pela artilharia croata. Reconstruída em 2003 ela continua sendo o símbolo da cidade ligando os dois lados sobre o rio Neretva e de tão bonita que é voltávamos sempre para revê-la, de manhã, de tarde e de noite. A arquitetura predominantemente Otomana é como um sinal de que estamos a caminho do oriente médio e já começaram a surgir as mesquitas.

Mostar

Stari Most ou Ponte Velha

Geralmente acampamos mas em Mostar resolvemos pegar um albergue e foi uma das melhores decisões. Ficamos no Miran, um sujeito falante que nos contou muito de como foi viver seus 15 anos de idade com barulho constante de bombas e a dúvida de quem sobreviveria ao próximo dia. Vimos videos caseiro da época e pudemos entender um pouco de sobre como passaram a levar uma vida normal quando perceberam que a guerra não acabaria tão cedo.

Mostar

Stari Most de Mostar a noite

Encantados com a beleza e espantados com a história de Mostar seguimos para a capital. Sarajevo não impressiona pela beleza, mas tem muita história para contar. Foi em uma de suas esquinas que o Arquiduque Francisco Fernando da Áustria-Hungria foi assassinado dando início a 1ª Guerra Mundial. Foi também nela que nossa guia do Free Walking Tour, Merima, aos 7 anos de idade voltou correndo do caminho da escola após uma explosão de uma bomba no seu caminho. Todo o tempo encontramos as chamadas Rosas de Sarajevo que são intervenções artísticas que marcam em tinta vermelha no chão explosões de bomba na guerra. Na Bósnia e Herzegovina não dá nunca para esquecer a guerra, espero que o mundo também não esqueça.

Mostar

Rosas de Sarajevo

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