DayTrippers – Paixão em Viajar

Bolívia bloqueada!

A Bolívia está na infeliz posição de país mais pobre da América do Sul. Diversos fatores levaram a isso, não tenho aqui capacidade de discuti-los a fundo, mas fala-se sobre fatores históricos como uma sequência de governos corruptos associada a inserção catastrófica da população majoritariamente indígena ao sistema capitalista e diversas guerras com vizinhos, frequentemente perdendo área, inclusive a mais importante, o acesso ao mar perdido para o Chile em 1904.

Sede do poder na Bolívia

Nesse contexto de pobreza o país é conhecido pelos viajantes pelos frequentes bloqueios de estradas por diversas categorias de trabalhadores como forma de reivindicar seus direitos. Quando saímos de San Pedro de Atacama no Chile já sabíamos que os bloqueios estavam acontecendo e em grande quantidade, pelos mineiros que recém ganhavam adesão dos professores e a antipatia dos agricultores. Cruzamos então as péssimas estradas do deserto do sudoeste boliviano conhecendo paisagens maravilhosas até chegar na cidade de Uyuni. De lá conhecemos o espetacular Salar do Uyuni e estávamos prontos para sair.

Conhecendo as belezas do sudoeste boliviano

Começamos então a buscar melhores informações sobre quais rotas estavam bloqueadas e quais estavam abertas. Queríamos seguir para Sucre então fomos à saída, mas estava fechada dia e noite. Fomos a algumas empresas de ônibus onde nos disseram que as saídas para La Paz eram as únicas certas e aconteciam à noite. Já sabendo da qualidade das estradas a opção de dirigir para La Paz por 12 horas em plena madrugada não era muito animadora. Ficar em Uyuni, que já estava desabastecida de diesel, gás e outros produtos básicos também não parecia muito divertido. A opção mais sensata parecia ser retornar ao Chile e dar a volta para cruzar até o Peru. Tomamos essa decisão e seguimos mas antes de chegar à saída paramos. Não, não vamos voltar, vamos conhecer a Bolívia. Viramos o carro e pegamos às 18h00 a saída para La Paz, já apreciando o sol que se punha.

Um dos bloqueios

Estrada de terra, costela de vaca, um breu sem fim e nenhuma placa indicando para que lado ficava a capital do país. Fomos dirigindo, erramos um pouco o caminho pois o GPS também não se encontrava muito. Já relaxados e há algumas horas na estrada chegamos a um rio que cruzava a estrada. Nada dizia que sim, você pode atravessa-lo e às 23h00 não era o tipo de decisão que queríamos tomar. Desci no escuro com uma lanterna olhei bem o rio, achava que dava mas não tinha certeza, só indo para saber. Passamos a uma profundidade de não mais que 0,5 metro, por uns 200 metros de bancos de areia e água, saímos ilesos e seguimos caminho.

Desabastecimento de combustível, filas de 3 dias!

Mais um bom tanto de terra e chegamos a um trecho de asfalto, para passar por Oruro uma cidade bem estranha, ao menos naquele horário. Rodamos, abastecemos, vimos as putas nas esquinas e os mendigos com suas fogueiras embaixo das pontes e seguimos. Já às 5h00 da manhã, exaustos, chegamos à entrada de La Paz. Alguns restos de pneus queimados e escombros sinalizavam onde recomeçaria o bloqueio, assim que o sol surgisse e esquentasse um pouco o palco das lutas. Ainda cruzamos toda a cidade para chegar ao Hotel Oberland, provavelmente a parada mais clássica para Overlanders em toda a América do Sul, onde abrimos a barraca para dormir um sono merecido.

Outro bloqueio

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