DayTrippers – Paixão em Viajar

Bielorússia, Uma Boa Dose Do Comunismo Soviético

Com apenas 3 dias para cruzar todo o país da fronteira com a Rússia até a Polônia, já que o visto de trânsito era coisa simples perto dos requerimentos de um visto de turista para essa ex-república socialista soviética, nosso plano foi tocar para a capital e ver um pouco da cara desse lugar que segundo os guias de viagem teria muito mais de arquitetura e atmosfera comunista que a própria Rússia, a “dona da bola” no regime soviético.

Minsk, Belarus

Em um parque de Minsk

Na entrada do país ficamos na dúvida se estavamos mudando de país ou se ainda era uma coisa só, afinal não havia controle de imigração. Depois de uns poucos quilômetros da fronteira encontramos umas casinhas que vendiam a “carta verde”, o famoso seguro contra acidentes com terceiros que pedem em quase todos os países e na falta de uma lingua em comum fomos com gestos e valores digitados na calculadora até conseguirmos seguir viagem com o Curumim devidademente segurado, mas nada de passaporte carimbado, é só chegar e entrar.

Minsk, Belarus

A Igreja Vermelha

Já em Minsk, a capital bielorrussa, precisávamos estacionar bem perto do que queríamos visitar pra ter tempo de conhecer o lugar, dormir e fazer valer nosso prazo curtíssimo. Paramos em uma vaga de rua bem no centro da capital mas a Isa não estava no pique de passear. Ela fechou as cortinas do curumim, montou a cama e ficou assistindo um filme, ali mesmo, no centro de Minsk. Eu segui para a Praça da Independência, onde está a destoante “Igreja Vermelha” e a sede do governo em arquitetura obviamente comunista. Para não deixar dúvidas uma estátua de Vladmir Lenin na frente. Foi aí que comecei a viajar na arquitetura da cidade e sentir como se a União Soviética ainda existisse.

Minsk, Belarus

A sede do governo e o Lenin

A arquitetura comunista é básica, breve, funcional, tinha como objetivo servir a nação, a baixo custo, por isso os edifícios costumam ser blocos de concreto cinzas, e no caso dos prédios públicos adiciona-se uma pitada de grandiosidade para “demostrar o poder do estado”. Fui ver o imponente prédio da KGB, que por recomendações não deve ser fotografado, afinal “você pode estar sendo vigiado”. De lá segui para um outro prédio público que não sei a que servia mas que não poderia traduzir melhor esse estilo que estava me encantando, todo cinza, simétrico e com uma estrela sobre cada porta de entrada.

Minsk, Belarus

Exemplo de arquitetura comunista

Assim continuou minha caminhada, para o museu dedicado ao escritor e poeta bielorrusso Janka Kupala. Um prédio de simetria impecável, em um tom verde claro que compõe com as árvores do parque, e que apesar de ter cor não fugiu a regra. O que eu mais gostei foi o Circo Estatal da Bielorrússia, construído no final da década de 50 em um plano soviético de construir 20 circos pelo país. Ele tem uma cara de circo, uma cúpula redonda fazendo alusão a lona do circo, na frente umas esculturas de animais e trapezistas, mas pra não deixar dúvida, concreto, básico, simples, genial!

Minsk, Belarus

Museu do Janka Kupala


Minsk, Belarus

O Circo

Pra fechar a parte soviética com chave de outro, a Ópera e Ballet da Bielorrúsia, mais uma vez simétrico e monocromático, imponente e belo. Se tivéssemos mais tempo assistiríamos a algum espetáculo por ali, mas não havia nada programado para aquele dia. Sei que esse texto foi um pouco repetitivo, mas isso foi o que mais me encantou na arquitetura comunista, reconhecer a repetição e a peculiaridade do estilo, imaginar e ver como é um prédio comunista para cada finalidade. É claro que a cidade tem hoje em dia prédios modernos, um deles é o Palácio da República que parece que não perdeu muito o costume, mas não foi isso que fomos buscar lá.

Minsk, Belarus

A Ópera e Ballet

Pra quebrar um pouco o padrão fui até a Igreja de Santa Maria Magdalena, que foi fechada e saqueada após a Revolução de Outubro de 1917, transformada em armazém de arquivos de imagem e som do regime e devolvida à diocese em 1991 após o fim da URSS. Ela tem um estilo bem interessante, com uma cúpula em linhas retas e a outra em formato de cebola, típica da Igreja Ortodoxa Russa.

Minsk, Belarus

Igreja Ortodoxa de Santa Maria Magdalena

Nossos 700km em 3 dias pela Bielorrússia foram uma verdadeira viagem no tempo, nesse que é um dos países mais interessantes para se conhecer o legado arquitetônico da ex-URSS. Uma experiência única que recomendo pra quem esteja de passagem por essas bandas.

Minsk, Belarus

17:23, sol se pondo, voltando para o Curumim

Próximos passos

Cruzando para a Pôlonia antes que o visto acabe, vamos para a capital Varsóvia buscar nossa amiga Marina que veio nos visitar e com ela vamos para o sul do país, na famosa Cracóvia.

Um comentário sobre “Bielorússia, Uma Boa Dose Do Comunismo Soviético

  1. Danilo Lucati

    Hoje eu descobri seu blog. A minha visita foi completamente ocasional, quando eu estava à procura de dicas e informações sobre a Aurora Boreal. E curti muito, tenho que lhe dar os parabéns porque tanto as descrições, imagens e temas abordados, são muito uteis e interessantes. Estou fascinado por tudo que vi e li por aqui. Na verdade eu fiz um tour em suas historias, lugares magníficos e paisagens incríveis. Saibam que também alimento esse sonho…. Desejo toda positividade a vocês! Um grande abraço!

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