DayTrippers – Paixão em Viajar

Obsessões Armênias

Depois do amor incondicional pela Geórgia que no fez estender a estada no país por 25 dias chegamos a mais uma ex-república socialista soviética, 2º país dos cáucasos e 31º dessa viagem com as expectativas altas. Da Armênia sabíamos apenas que é o primeiro país Cristão do mundo e também que seu povo sofreu um terrível genocídio perpetrado pelo então Império Otomano, atual Turquia, exatos 100 anos atrás, que matou mais de 1 milhão de armênios e ainda não foi internacionalmente reconhecido por muitos países. Quando estávamos lá o Brasil ainda não havia reconhecido mas em junho de 2015 uma lei passou no senado reconhecendo o genocídio e levando a questionamentos do governo turco. Nas 2 semanas seguintes percebemos que esses fatos são na verdade obsessões locais e escutaríamos muito sobre essas histórias.

Armenia

Os armênios se consideram decendentes diretos de Noé, cuja arca encalhou no Monte Ararat, historicamente território deles, hoje parte da Turquia. E o monte é mais uma obsessão no país, o principal conhaque do país é o Ararat, falam dele no hino nacional, está no brasão de armas, na boca do povo, em fotos nas paredes e no nome de infinitos estabelecimentos comerciais. Na fronteira, fechada diga-se de passagem, com a Turquia é possível avistar o Ararat com clareza e ao fundo do belo monastério de Khor Virap. Aliás, de boa parte do país se avista o pico de 5.137 metros.

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Vindos do norte passamos por Dilijan, a “Suíça armênia” que nada tinha de Suíça, já perdemos as contas de quantos países tem suas próprias Suíças. Independentemente disso achamos a cidade bem sem graça e seguimos para o lago Sevan, o maior do país que também abriga belos monastérios nos arredores, aliás outra coisa que vimos de sul a norte, cada vez em localizações mais especiais. Em vales, picos, lagos, a beira rio, esses monges sempre tiveram muito bom gosto para construir seus retiros.

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Demos uma boa rodada em torno do lago, longe da super soviética feia-interessante Sevan, pegamos sol e neve e chegamos a Noratus onde está o maior cemitério de Khachkars da atualidade, lápides típicas da arte medieval Armênia. As Khachkars de Noratus foram feitas a partir do século X e são lindas, seja pelas imagens esculpidas, pelo formato ou pelo tom alaranjado das pedras. Algumas tem menos de meio metro, outras mais altas que uma pessoa, mais quadradas ou arredondadas sempre retratam a cruz e adicionalmente temas botânicos, rosetas e até animais ou cachos de uva, representando o vinho, bebida cuja fábrica mais antiga foi encontrada por arqueólogos na Armênia, datando mais de 6.000 anos.

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Em uma rápida passagem por Yerevan descobrimos uma capital pequena e tranquila onde até acampamos na rua. Etchmiadzin, a catedral mais antiga do mundo, nos arredores, decepciona por ter sido reconstruída e reformada tanto que nem parece antiga. O que impressionou mesmo na região foi o mosteiro medieval de Ghegard que além de mais uma vez bem localizado impressiona pelo seu interior sombrio, úmido, a luz de velas com imponentes pilares e esculturas na pedra.

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Para finalizar esse pequeno país cheio de atrações passamos por Goris com suas formações rochosas que lembram muito a vizinha Capadócia, e que ganham um tom alaranjado no fim de tarde remetendo às Khachkars, mas nesse caso naturais. Brinquei aqui com obsessões armênias mas na verdade sentimos nesse país querido e com uma dura história um povo muito apegado as suas tradições, nacionalistas e que independente de desde quando ou onde estejam no mundo levam sempre consigo um pedaço da pátria-mãe.

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