DayTrippers – Paixão em Viajar

1000 Dias de Viagem, o Que Mudou?

Tanto tempo de estrada nos faz refletir muito a respeito de tudo que já vimos e vivemos em um prazo relativamente curto de nossas vidas, são 1000 dias vivendo em diferentes lugares do mundo, nos adaptando as diferenças de cultura, línguas, costumes e clima, conhecendo gente nova todos os dias, lidando com as burocracias de uma vida nômade e claro que tudo isso trouxe muitas mudanças em nossas vidas. É tudo tão intenso, que sinceramente ainda não conseguimos processar tanta informação, porque logo mais chega uma nova experiência e acabamos deixando para processar a anterior mais tarde.

1000dias

1 dos 1.000

De qualquer maneira, essas são algumas impressões que surgiram durante uma conversa enquanto dirigíamos no Laos um dia desses:
– No primeiro ano de viagem tínhamos a sensação de estar vivendo férias prolongadas, hoje sentimos que vivemos uma vida “quase normal” em diferentes lugares do mundo;

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Mongólia julho/2015

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Torcendo a roupa

– O medo de dirigir aumentou e a nossa velocidade máxima diminuiu para 80km/h. Ainda não entendemos como pessoas tão gentis como encontramos na Geórgia, Irã e China por exemplo, podem ser tão agressivas no trânsito;

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Quirguistão junho/2015

– O certo ou o errado não existem, e sim o diferente (viva as diferenças). Parâmetros e referências são criações da nossa sociedade e das nossas mentes, se nos prendermos a eles em uma experiência como essa, vamos encontrar muita coisa “errada” pela frente;

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Irã abril/2015

– A simplicidade muitas vezes é confundida com pobreza, em especial nas áreas rurais;

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Tajiquistão junho/2015

– O Curumim se consolidou como a nossa casa, nem buscamos outros meios de hospedagem e só saímos dele quando recebemos algum convite para dormir na casa de alguém. Se passamos o dia fora quando voltamos a sensação é de “chegamos em casa”;

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Cazaquistão julho/2015

– Estamos constantemente nos ajustando como casal para conviver bem em um espaço tão pequeno 24 horas por dia, acho que isso faz parte de qualquer convivência e conversamos muito sobre isso;

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Turquia março/2015

– É fato que tem dias super cansativos que a gente não quer ver nada, já chegamos a nos questionar se um prazo tão longo de viagem não cansa os nossos olhos que estão sempre em busca de algo mais surpreendente. Mas hoje sabemos que foi a sequência de 1000 dias na estrada que nos ensinou que não somente os olhos viajam, mas principalmente os sentidos, e foram eles que nos deram uma compreensão melhor de mundo, uma sequencia de países, costumes, culinária, política, economia e religião diferentes, nos dá uma visão muito interessante que muitas vezes não conseguíamos captar quando saíamos em 30 dias de férias.

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Uzbequistão maio/2015

– Amadurecemos muito diante das decisões e problemas. Viajar o mundo de carro envolve muita responsabilidade nas decisões e estamos muito felizes com as nossas, nunca presos ao planejado, mas conseguindo fazer as coisas fluirem. Aprendemos também a lidar melhor com os problemas, e olhar pra eles como mais uma história pra contar ou como uma oportunidade para conhecer novas pessoas, ser ajudado por uma família, interagir com as crianças da vila, quantas situações legais já vieram de problemas;

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Brasil setembro/2013

– Muita gente acha que precisa do Inglês pra fazer uma viagem dessas, ele de fato ajuda, principalmente nas pesquisas, mas sinceramente, por onde temos andado, se não encontramos nenhum viajante, passamos dias sem falar uma palavra em inglês. Aliás, passamos 10 meses seguidos em países que usam alfabeto diferente do nosso, então nem saber ler ajudava muito. Temos feito mais mímica e aprendendo algumas palavras no idioma local do que utilizado o inglês, vale mais o esforço em querer se comunicar.

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Uzbequistão maio/2015

– Foi passando um bom tempo fora do Brasil, conhecendo outras pessoas e realidades que nos demos conta da violência do nosso país e como isso reflete em nós brasileiros, que crescemos nessa realidade e por mais anormal que ela seja, aprendemos a viver com isso, mas com a mente sempre atenta a algo de ruim que possa acontecer. Tentamos entender a origem de tudo isso, uma vez que visitamos diversos países com tantos problemas sociais como o nosso e onde não sentimos insegurança, mas isso é uma longa história que podemos abranger melhor em outro post.
– Baseados na conclusão do item anterior e depois de tantas experiências positivas percebemos que o nosso olhar com relação ao mundo também mudou, víamos muita malícia em nossa maneira de pensar e aos poucos, fomos relaxando, as vezes é preciso se entregar um pouco para entender o que te espera do outro lado. Nos sentimos muito seguros por onde passamos, isso também não anula qualquer possibilidade de algo ruim acontecer, mas nos ajuda a viver melhor.

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Laos outubro/2015

Sem dúvida, dos 1000 dias de estrada, podemos contar nos dedos os dias ruins. Quanto mais viajamos, mais otimistas estamos com o mundo e menos interessados no que a mídia tem a nos mostrar. Pensamos positivo e seguimos nosso caminho com muita fé.

– A gente também envelheceu… Começamos a viagem com 28, hoje estamos com 31 e cada dia mais jovens. Aí vai prova, em ordem cronológica…

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Georgia março/2015

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San Pedro de Atacama, Chile, maio/2013

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Bonito, Brasil, Janeiro/2013

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Foz do Iguaçu, Brasil, Fevereiro/2013

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Paraguai, Fevereiro/2013

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Uruguai, Fevereiro/2013

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Ushuaia, Argentina, Março/2013

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Torres del Paine, Chile, Abril/2013

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Torres del Paine, Chile, Abril/2013

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El Chaltén, Argentina, Abril/2013

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El Chaltén, Argentina, Abril/2013

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El Leoncito, Argentina, maio/2013

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Laguna Colorada, Bolívia, Maio/2013

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Machu Picchu, Peru, Junho/2013

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Puerto Inka, Peru, Junho/2013

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Misauhalli, Equador, Julho/2013

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Salento, Colômbia, Agosto/2013

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Capurganá, Colômbia, Agosto/2013

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Sapzurro, Colômbia, Agosto/2013

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Acandi, Colômbia, agosto/2013

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Tayrona, Colômbia, Agosto/2013

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Venezuela, Setembro/2013

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Venezuela, setembro/2013

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Roraima, Brasil, Setembro/2013

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Roraima, Brasil, Outubro/2013

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Transamazônica, Brasil, Outubro/2013

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Lençóis Maranhenses, Brasil, Novembro/2013

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Ilhabela, Brasil, Janeiro/2014

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Aiuruoca, Brasil, Março/2014

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Minas Gerais, Brasil, Junho/2014

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Amsterdam, Holanda, Julho/2014

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Suécia, Agosto/2014

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Trolltunga, Noruega, Setembro/2014

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Finlândia, Outubro/2014

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Praça Vermelha, Rússia, Outubro/2014

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Tatras, Polônia, Outubro/2014

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Budapeste, Hungria, Outubro/2014

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Zagreb, Croácia, Novembro/2014

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Bibinje, Croácia, Novembro/2014

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Durmitor, Montenegro, Novembro/2014

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Kotor, Montenegro, Novembro/2014

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Thethi, Albânia, Dezembro/2014

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Bansko, Bulgária, Dezembro/2014

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Braço quebrado, Bulgária, Reveillón Dezembro/2014

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Capadócia, Turquia, Fevereiro/2014

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Capadócia, Turquia, Fevereiro/2014

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Geórgia, Março/2015

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Armênia, Março/2015

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Irã, Abril/2015

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Turcomenistão, Maio/2015

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Uzbequistão, Maio/2015

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Tajiquistão, Junho/2015

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Quirguistão, Julho/2015

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Cazaquistão, Julho/2015

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Mongólia, Agosto/2015

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Mongólia, Agosto/2015

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China, Setembro/2015

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Laos, Outubro/2015

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Hoje, Tailândia, Outubro/2015

21 comentários sobre “1000 Dias de Viagem, o Que Mudou?

  1. Alessandra Fratus

    Pessoal, adoro as fotos, histórias, tudo!! Acompanho sempre de perto! Obrigada por dividirem tanta coisa boa!! Beijos.

  2. Tatiana Soares

    Já vos acompanhamos há algum tempo. Começamos por pesquisar videos do Defender no youtube e voilà aparecem vocês, um belo casal com coragem para enfrentar o mundo. Amamos os vossos videos, a vossa forma de ser e logo nos identificamos. Desde então que sentimos como se nos conhecêssemos 🙂 Acompanhando cada foto, cada momento maravilhados com tudo aquilo que vocês estão a conhecer. É uma forma de vermos o mundo através de vocês, das vossas experiencias. E bate uma vontade forte de estar ai com vocês ;D Quem sabe um dia? Como vocês já sabem cá vos esperamos em Portugal <3 <3 Um beijão e boa viagem ;))

    1. Rafael Avila

      Oi Tati! Legal sentir que você teve essa identificação e que sente como se nos conhecêssemos. Acho que precisamos de fato nos conhecermos, está anotado seu email para quando formos a Portugal e se for ao Brasil está convidada! Energia boa a sua! beijo!

  3. Luiz Filipe Carvalho

    Fantástico!!!
    É muito bom poder acompanhar a viagem de vcs e ao mesmo tempo me inspirar para planejar uma volta ao mundo!!
    Continuem com o ótimo trabalho!!
    Muito sucesso!!!
    abs

    1. Rafael Avila

      Valeu Luiz Felipe, muito bom poder trazer inspiração para a sua viagem! Conte com a gente para o planejamento. Abraço!

    1. Rafael Avila

      Ah querida, gostoso você por aqui… A maior dificuldade nesses 1000 dias é mesmo a distância das pessoas que mais amamos, como você minha irmã!

  4. Tobias

    Yesss……you still alive! I am happy to hear from you. Thanks for that great pictures. Hope to see you anytime anywhere again. With best wishes….
    Tobi (german cyclist from Tabriz)

    1. Rafael Avila

      Hey Tobi!! How are you my friend? Sorry for taking long to answer, this section of the website was not working in Vietnam. Where are you now?? Hope also to see somewhere, we always think about you and your good energy!

  5. Joseazevedo

    Oi pessoal, parabéns pela vida que vocês escolheram. Estou com vocês já faz um tempinho, obrigado pelas experiências que vocês têm dividido conosco. Dos pontos que vocês mencionaram aqui, um em especial me chamou a atenção: o medo de dirigir aumentou.
    Imagino que deva ser mais por estarem em regiões onde as pessoas não dirijam lá muito bem, o que aumenta o receio de ser envolvido em um acidente, do que só por estarem tanto tempo na estrada, certo?
    Grande abraço e todos os pensamentos positivos para vocês!

    1. Rafael Avila

      Fala José! Muito obrigado por viajar com a gente! Acho que é um conjunto de tudo que vimos, da consciência de que 100.000km nos expõe a muitos riscos, da loucura que é o trânsito e a forma como pessoas desrespeitam-se mutuamente no trânsito, pelas situações de potencial perigo que já passamos. Enfim, tempo nós temos de sobra, melhor ir devagar 🙂 Grande abraço!

  6. KarinMarijke

    Lovely post. Thanks for sharing. I liked this phrase because I think it’s so true.
    “… Brazilians, who grew up in this reality and however unusual it may be, we learn to live with it, but with the mind always attentive to something bad might happen.”
    I remember a Venezuelan asking me if it wasn’t dangerous to travel, how would she know if nobody was going to kidnap her? For me, as a Dutch, such a thought would never cross my mind – for a Venezuelan, it’s not so strange to ask. I think it takes time to let go of those images you grew up with and thus expectations you travel with. Even if you succeed at a rational level, to truly embrace a totally open mind with your heart is another step.

    1. Rafael Avila

      Hey Karin! Very interesting to have your comment on this topic, like the “other side of the coin”. Isn´t it so true? We had this talk with friends, both europeans and south americans and unfortunately this is our reality… Looking forward to see you in Asia! Good luck!

  7. Ramsi AobsiL

    Ótimo texto, define bem o sentimento de todos os momentos e toda a intensidade da viagem vivida por vocês. Parabéns.

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